Número de jovens que fazem cirurgia plástica aumenta no Brasil

Número de jovens que fazem cirurgia plástica aumenta no Brasil

Número de jovens que fazem cirurgia plástica aumenta no Brasil

O Brasil apresentou um crescimento de 55 % no número de intervenções estéticas em adolescentes nos últimos cinco anos.

A cirurgia plástica é inseperável aliada da vaidade há milênios.
Um papiro egípcio datado de 3500 a,C., hoje exposto em Leipzig, na Alemanha, é o mais antigo documento a reunir informações sobre a anatomia de homens e mulheres e o primeiro a recomendar intervenções estéticas no nariz e na boca como “receitas para transformar um velho em jovem”.

Hoje, o aprimoramento das técnicas de cirurgia e um conhecimento completo do corpo humano permitem a redução de marcas do tempo com resultados próximos do natural.

Mas o que dizer quando é o jovem, no auge do vigor físico, da musculatura rígida e pele firme, a expor o desejo de se submeter a correções estéticas ?

Trata-se de uma realidade cada vez mais comum nos consultórios brasileiros. Mensalmente, 3,400 adolescentes se submetem a uma cirurgia plástica para alterar algo que não lhes agrada.

De acordo com levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, feito com exclusividade para VEJA, houve um crescimento de 55 % no número dessas intervenções nos últimos cinco anos.

Atenção : não estão incluídos na conta os procedimentos realizados por razões de saúde.

São meninas e meninos com idade entre 13 e 18 anos que decidem mudar o “nariz de batatinha”, reduzir o “peito um pouco saliente” ou aumentar o “queixo pequeno demais”.

Não lhes interessa parecer mais velhos, e sim mais bonitos, evidentemente.

Eles não seguem o conselho do dramaturgo Nelson Rodrigues, que, em 1967, com a juventude a seu lado exalando hormônios, misturando sexo e política, levando ambos às ruas, lhe fez uma proposta irônica “Eu recomendo aos mais velhos : envelheçam depressa, deixem de ser jovens o mais depressa possível, isso é um azar, uma infelicidade. Eu já fui jovem também e não me reconheço no jovem que fui”, disse.

A bagunça hormonal e a gangorra emocional do tempo de espinhas que induziram Nelson Rodrigues à brilhante provocação são o mesmo alimento, a rigor, que agora leva os adolescentes a querer alterar a própria imagem na faca.

O que, afinal, tem levado as garotas, especialmente elas, a se submeter a recursos invasivos em razão de vontades puramente estéticas ?

Diz a psicanalista de adolescentes Ana Olmos, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo “Alguns casos estão associados à urgência de adequar-se ao olhar dos amigos, ser aceito”.

De alguns anos pra cá, a necessidade de aceitação extrapolou o ambiente escolar ou doméstico. Os perfis em redes como Instagram e Facebook funcionam à perfeição como instrumento de exibição e aval de beleza – os adolescentes agora precisam de aprovação unânime, likes e mais likes no mundo virtual.

Há ainda uma característica comum para muitos deles : gostar de um ídolo e precisar ser igual a ele. No Brasil, entre as celebridades mais incensadas estão a cantora Rihanna e a atriz Megan Fox.

Nos Estados Unidos, país campeão em cirurgias estéticas (a cada mês, 5.300 adolescentes americanas se submetem a operações desse tipo). “As pacientes chegam à consulta com fotos de pessoas famosas, querendo ser parecidas com elas”, disse a VEJA o médico americano Thomas Romo, diretor de cirurgia plástica facial do hospital Lenox Hill, em Nova York.

A aparência de um ídolo é crucial, mas ai dele se mudar o comportamento. Há quatro anos, lembra Thomas Romo, a favorita entre as americanas era a duquesa de Cambridge, Kate Middleton. Seu delicado nariz era o primeiro no cardápio de desejos de cirurgia. Kate continua linda, Mas hoje, dois filhos depois, sua imagem familiar se tornou envelhecida para os jovens.

A inspiração agora é a modelo americana Kendall Jenner, de 20 anos, irmã da socialite Kim Kardashian. O nariz, a boca e a cinturinha são o novo sonho de consumo das meninas. No caso específico de Kendall, os adolescentes estão seguindo padrões criados no bisturi – a modelo modificou o formato do nariz e do queixo, deixando-os mais delicados.

A montanha-russa emocional acelerada na puberdade não é o único grande desafio enfrentado pelos cirurgiões plásticos no trato com seus pacientes. É preciso também, por exemplo, convencê-los de que nem sempre é a hora certa para fazer a cirurgia corretiva “O organismo do adolescente tem peculiaridades especiais”, diz Andrea Hercowitz, hebiatra do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
“Muitas vezes, o corpo já está preparado para sofrer uma intervenção estética, mas lhe falta maturidade para sofrer a mudança”. As mudanças estéticas em si não causam dano à saúde. No entanto, os procedimentos podem ser completamente destruídos ou alterados pelas mudanças naturais do organismo. Nessa fase da vida, o corpo passa pelo chamado “estirão”. É quando os ossos espicham, o órgãos ganham volume, a pele estica e a quantidade de massa muscular e gordura aumenta.
Por isso, os médicos recomendam que as intervenções sejam realizadas mais tarde.

Nas meninas, o ideal é esperar pelo menos dois anos depois da primeira menstruação.

Nos meninos, no mínimo dois anos depois do aparecimento dos pelos pubianos.

Se há insistência para abreviar as mudanças, um alerta aos pais : munam-se de paciência, conversem com seus filhos e com os médicos.

Um conselho para os pais, no avesso de Nelson Rodrigues “Rejuvenesçam para entender o que vai na cabeça da meninada, e o que vai, muitas vezes, pode ser a vontade de mudar a aparência, ainda que minimamente”.

Fonte : Revista Veja

 

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